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Arte Xávega na Praia da Tocha

A pesca de arrasto, mais conhecida por Arte Xávega, é ainda nos dias de hoje, uma realidade nos Palheiros da Tocha.

Diferente da praticada na zona algarvia, a xávega foi modelada essencialmente pelas condições naturais da zona, desde o areal, as dunas e o ligeiro declive de entrada no mar.

Até à década de 60, os barcos em forma de meia lua, de proa e popa elevadas, bordos altos, fundo chato e arqueado era o ideal para enfrentar a forte agitação marítima e também para ser arrastado na areia. Conforme o tamanho da embarcação podiam ser movidos a dois ou quatro remos e, segundo pescadores, a tripulação era composta por 38 a 40 homens em embarcações maiores e 20 homens nas mais pequenas.

Feitas de linho, as redes de arrasto mediam cerca de 300 metros, sendo que podiam chegar aos 600 metros no caso das embarcações maiores. Devido à dimensão e ao peso das redes eram necessárias muitas pessoas para as transportar para o barco e, mais ainda, para as puxar para terra, sendo muitas vezes difícil devido à agitação marítima.



A população sempre contribuiu para esta prática, não só financeiramente formando companhas como também ajudava a puxar as redes.

Inicialmente eram só os camponeses que puxavam as redes, na busca de compensar a fraca colheita, mais tarde até os turistas ajudavam criando assim novos laços sociológicos.

No regresso, os pescadores davam um punhado de peixe (o quinhão) a quem ajudava no transporte das redes sendo o restante, numa lota improvisada, vendido a sardinheiros e à população.

No inicio do século XX, começou a ser utilizado gado na alagem das redes, o que veio a contribuir na fortificação desta arte, excecionalmente nesta praia, continuou a ser usada a força humana.

Após a II Grande Guerra, a Arte Xávega na Praia da Tocha entrou em decadência. Com a busca de novas oportunidades acrescida com a vaga de emigração marcou o isolamento da povoação e prejudicou o avanço desta arte. Desta forma, os pescadores que ficaram tiveram que “reinventar” a arte do arrasto e adapta-la às novas condições, essencialmente a falta de pessoal.


Os barcos perderam a forma acentuada de meia lua e tornaram-se mais pequenos. Os dois remos, que ainda continuam para passar a primeira linha de rebentação, foram substituídos por motor. As pessoas que puxavam as redes para terra foram substituídas por tratores e, de forma a ser mais fácil o transporte do barco foram colocadas rodas no casco.

Atualmente, existem duas pequenas companhas, sem contar com as pessoas que vão ajudando, e as funções de cada pessoa não são tão definidas como anteriormente.


Antes de ir ao mar temos de o estudar, ver o que ele faz…ver pelo movimento da água na borda se a corrente é muita…. Dizemos muitas vezes que o mar está em ânsias, a ondulação pode estar alta, o mar rebenta com tudo e depois acalma, ficam aqueles lisos…


Idalécio, pecador in Praia da Tocha – 2005

Como antigamente, uma ida ao mar é sempre um espetáculo. Desde a espera pelo momento certo para entrar, a confusão e a palavra de ordem “é agora!”.

No areal fica preso um cabo (mão-de-terra) que se vai desenrolando à medida que o barco se afasta até a altura que o arrais dá a ordem para o lanço. O barco dá uma volta de 90 graus e, neste momento é lançada a primeira manga, o saco e finalmente a outra manga. De seguida é largado o segundo cabo (mão-da-barca) e o barco está de regresso. Em terra está a companha com tratores para o puxar da rede.

A chegada do saco continua a ser o momento mais esperado por parte de todos!

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